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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Ler com mais que olhar

 


Apalpar o papel me é importante,

Quase imprescindível.

Tocar-lhe é aferir pulso da escrita,

Perceber pela pele o palpitar das palavras,

Penetrar o peito pela superfície.


Tê-lo às mãos é perceber perfumes,

Inspirar o que o verbo expira

Pelos poros, interstícios.


Não me satisfaço só com telas,

Careço do toque, de mais sentidos.


Leitura é relação.

Não pode ser só virtual,

Pobre sendo só informação.




sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Escapismo



Estamos, todos, sempre à antessala do adeus,

No corredor entre o agora e o nunca,

Às portas da despedida certa,

Atravessando incógnitas...


E nos adiamos.

Seguimos adiando abraços e eu te amos,

Como se o depois fosse certo,

Como se fim fosse fantasia,,

Fato somente para os outros,

Distante.


Temos todos a sentença escrita

Deixando evaporar as tintas,

Desdenhando os pincéis de desenhar e colorir presente.


Estamos, todos, às vésperas de estar ausentes,

Esperando por amanhã para fazer,

Pagando pra ver.




     

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Composição



Sou inteira sendo pedaços.

A cada passo me construo e me desgasto

Perdendo, polindo arestas,

Tirando espinhos

Para acontecer flor.

Alegria não é sem dor.

Viver pleno é de ser grande e ser pequeno.

Assim, sou inteira e sou pedaços,

Ente do espaço,

Viajante do coração,

Crescendo com soma e subtração. 





quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A cada manhã

 


Não basta que amanheça do lado de fora.

É imperioso que ser alvoreça a cada manhã.

Que se aclare, renove suas cores,

Dê-se o parto de produzir-se pujante, impulsionado.

Que dê ânimo à alma a cada acordar.


Não basta que céu de fora azule, claro.

Pode bem acinzentar-se, continuando divino.

Importante que se crie céu dentro,

Limpando peito, acalentando coração,

Amanhando a mente

Para escrever dias com delicadezas.


Que brindemos a beleza de viver de novo e mais.



  

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Vício

 


Não preciso fumar,

Não preciso cheirar,

Não preciso beber.


Meu vício é viver.




segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

O nome disso

 


Sabe quando silêncio de dois é um só,

Quando calar é falar

E olhar desenha tudo

Em negrito e colorido ?


Sabe quando um abraço embrulha,

Empacota presente,

Ata sem apertar,

Faz laço sem nó

E de singulares faz plural ?


Sabe quando num instante

Seres atinam, concordam,

Exclamam

Sem precisar perguntar ?


Sabe o que é aprender

Sem que se tente ensinar ?


O nome disso é amar.



sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Das despedidas

 


Cada nova despedida

Acorda uma dor sepultada.

Cicatrizam as feridas 

Sobre a pele judiada.

O buraco é coberto

Se a história é contada.


A pele injuriada 

Não mais é pele que já foi.

É sabido que em corpo ferido

Há ser que sente

Transportado de um antes,

Tatuado por passado.