Fácil ser feliz de férias,
Envolto em belezas, sem deveres,
Atarefado de passeios optados,
Acompanhado só de seres escolhidos.
Bom de ver é ficar feliz em casa,
Construindo dia-a-dia,
Visitando rotina, descascando abacaxis,
Fazendo malabarismo com pepinos,
Administrando convívios, pessoas, problemas,
Silêncios, balburdias, solidão.
Pois se procuro passeios para me embevecer,
Busco estares de ser só, comigo,
De bem com o próprio umbigo
E na relação com o alheio.
Dedicar-me a delicadeza da tecitura dos dias,
Fiando atitudes, movimentos,
Atenta a pensamentos, sentimentos mais banais,
Comuns do acordar ao anoitecer,
Às ruas cruas do corriqueiro.
Antes de ser feliz no fácil,
Procurar a maestria no simples complexo
Do pão nosso de cada dia.
Pois é nessa melodia que somos ou não felizes de verdade.
O mais é sonho eventual,
Que é bom provar de vez em quando...
Mas não sustenta realidade.