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quarta-feira, 21 de abril de 2021

Sempre na própria pele




Ninguém jamais vestirá minha pele.

Como ninguém ocupará a sua.

Quem, em verdade, sai de si e ocupa o outro ?

Nem por instantes !


Assuntamo-nos, julgamos, presumimos, projetamos 

No exercício imaginário de parecer, participar,

Sendo ilhas que se tocam, podendo beber de uma mesma fonte.

Compartilhamos a imensidão do mar.


Ouso aquilatar quem é mal sabendo quem sou.

Gasto uma vida com olhar em mim, para definir o próprio conteúdo, sem obter sucesso,

E ouso dizer do que o outro é feito, o que tem, o que não tem, 

Do que é capaz, como reage, o que lhe caberia melhor ou pior.


Ninguém nunca saberá o que o outro sente, vivencia.

Não importa o discurso.

O repertório de palavras é insuficiente para realizar a mágica.


Somos universos definitivamente distintos.

Comunicamo-nos no esforço e com o desejo de conhecer, compor...

E a realidade em verdade pouco nos permite.


Em meio a todas as trocas, seguimos sendo eu e você,

Cada um em pele ímpar, preenchido de substâncias únicas, 

Experiências absolutamente inigualáveis

E mutantes.